Projeto socioambiental em Petrópolis transforma vidas
quarta-feira, 8 de maio de 2013“Reciclando tecidos, refazendo vidas”. O slogan do Recicla Tecido, um projeto socioambiental de cidade Petrópolis, Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, define muito bem o trabalho realizado por e para diversas mulheres no município. Focado na reciclagem têxtil, o projeto, que hoje é uma associação, resgata a esperança de petropolitanas que anseiam por uma mudança em suas vidas e se preocupa, ainda, com o meio ambiente.
Criada há dois anos, a associação é mais que um projeto social que oferece oportunidade a mulheres sem perspectiva, ela também faz um trabalho ambiental dando finalidade ao que para as confecções é lixo. O Recicla Tecido tem por objetivo maior capacitar mulheres, muitas à margem da pobreza, para que tenham a chance de ingressar no mercado de trabalho. “A Recicla é a fonte de capacitação dessas mulheres para que elas possam caminhar com as próprias pernas”, observa Cláudia Martins, presidente da associação.
O projeto faz ainda mais. Ele alia o trabalho social com a preocupação ambiental. Toda empresa geradora de resíduos, por lei, deve dar destino a esse material. O problema, no entanto, é que a maioria das confecções simplesmente joga o resíduo no lixo, ou até mesmo nos rios, uma agressão ao meio ambiente. “Nosso trabalho é inovador, único que faz a logística reversa têxtil. O primeiro do estado a fazer esse trabalho”, explica Cláudia.
Os retalhos, restos de tecido na cidade de Petrópolis e linhas dessas empresas se transformam em material de trabalho para mulheres que aprendem na associação a arte do patchwork e fuxico. Colchas, mantas, edredons e ecobags se tornam, além das especialidades desse grupo, obras de arte dessas novas artesãs. “Essas mulheres chegam do zero, sem saber nada, e saem fazendo artesanato, cada coisa mais linda do que a outra”, destaca Cláudia, que foi a idealizadora do projeto.
Mais de 120 mulheres, dos 20 aos 60 anos, já passaram pelo Recicla Tecido. Em pouco tempo de existência, o projeto foi reconhecido com diversos prêmios. No ano passado, a associação foi selecionada no evento Rio + 20 como a única do gênero a fazer esse trabalho de reciclagem têxtil. No próximo sábado (11) a associação vai receber o prêmio de meio ambiente do Lions Clube Internacional.
Renascendo das chuvas
A tragédia da chuva de 2011 que destruiu parte de Petrópolis, entre outras cidades serranas, que despertou na administradora de empresas, Cláudia Martins, a iniciativa de executar o que já era um desejo: fazer algo para o próximo. Cláudia foi uma das voluntárias na ocasião e foi exatamente essa experiência que motivou a administradora de 55 anos a criar o projeto. “Eu me choquei ao ver que aquelas pessoas necessitavam de um simples cobertor. As mães queriam uma coberta para agasalhar seus filhos e não tinham. Vi pessoas como eu que estavam naquele sofrimento e precisava arrumar uma maneira de ajudar”, lembrou.
Foi quando surgiu a ideia de fazer um trabalho focado na confecção de enxoval, mas dando oportunidade a mulheres que não tinham uma profissão. Aliado a isso, Cláudia pensou em uma maneira de dar utilidade ao que é jogado no lixo: restos de tecido. “A ideia é educar o empresário a descartar esse material que ele não utiliza mais para algum projeto, como o nosso. Nós entramos em contato com a empresa, que por sua vez pega o resíduo todo, já cortado e limpo, e nos doa pronto para ser reaproveitado”, explica Cláudia.
Do resto, tudo é reaproveitado e novos produtos são criados pelas artesãs. “É tudo 100% reutilizado. Até os cones usamos em enfeites temáticos. Damos utilidade ao que era “lixo”, criamos produtos que dão renda para essas mulheres e ainda ajudamos a natureza, já que esse resíduo não vai mais para o meio ambiente”, afirma.
Transformando vidas
O sucesso do projeto, segundo Cláudia, é visto nos resultados do trabalho. “Eu fico feliz e emocionada quando vejo como conseguimos transformar vidas. Tenho casos, como de uma aluna que não mexia a mão direita depois de ter tido eclampsia no parto. Ela precisava da ajuda das outras alunas para fazer o traço fino. Hoje, ela não só mexe a mão perfeitamente, como faz cerca de 60 fuxicos por hora”, recordou.
A sensibilização de pessoas que querem ajudar também é um fator positivo no projeto. “Teve uma senhora de 86 anos que fazia patchwork. Ela entrou em contato comigo e doou aviamentos, linhas e tecidos maravilhosos e disse para mim que da mesma maneira que o patchwork transformou a sua vida, ela queria que transformasse a dessas mulheres”.
Fonte: G1
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